Wagner revela desconforto e secretário Almiro Sena pede exoneração do cargo
Após o governador Jaques Wagner deixar claro que não estava nem um pouco satisfeito com a polêmica envolvendo um secretário de seu governo, o gestor da pasta de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), Almiro Sena, decidiu se antecipar e encaminhou, no final da tarde de ontem, carta com pedido de exoneração para o chefe do Executivo. Em seu lugar assume, interinamente, o chefe de gabinete, José Reginaldo Souza Silva.
Almiro Sena foi acusado de assédio sexual e moral contra servidoras da secretaria de Justiça e, em meio a toda polêmica, o governador não hesitou em afirmar, horas antes do pedido de Almiro, que a sua permanência no cargo era insustentável.
Wagner, durante a manhã, em entrevista a uma emissora de TV, não escondeu o desconforto em torno da polêmica.
“Eu não sou obrigado a esperar o final da investigação. Mas evidente que há um desconforto, até porque ele é da Secretaria de Direitos Humanos, cuja função maior é defender essas coisas. Se ele não renunciar, então, eventualmente, eu tenho que dizer é melhor você sair porque fica desconfortável essa investigação”, mandou o recado, ao frisar ainda já ter conversado com o próprio Sena e com o chefe do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Márcio José Cordeiro Fahel.
O Ministério Público, por meio de nota, informou que foi protocolada na tarde do dia 28 uma representação formulada contra o promotor de Justiça e assegurou, através do documento, que a apuração será absolutamente criteriosa e célere.
Pressão política
Almiro Sena, por sua vez, em contato com a Tribuna,afirmou que sua decisão, de fato, foi com base na orientação do governador. Contudo, voltou a negar a prática dos abusos.
“Segui a orientação do governador Jaques Wagner, afinal, inevitavelmente, estamos falando de um cargo político e, ainda que a investigação esteja no início e não justificasse a minha saída, fui obrigado a ceder”, disse, ponderando o período eleitoral.
“Houve pressão política, porém, eu não fiz nada do que disseram e volto a dizer que essa questão é execrável, que foi armação e que terá um processo de investigação. Tem algumas pessoas que ocupam o cargo de A, B ou C e que estariam fomentando. É armação política, política profissional. Mas nesse momento eu não quero dizer de quem”, defendeu-se.
Almiro Sena disse ainda, antes de oficializar a decisão, que não tem que provar nada, mas está disposto a colaborar com as investigações.
“Primeiro que as que me acusam são duas ou três, salvo engano três, trazem alegações absurdas sem nenhum fundamento. Eu não posso provar o que não existiu. Mas posso sim mostrar no processo judicial com várias pessoas que, inclusive, têm me procurado, por conta do absurdo dessas acusações”.
Deixando claro que a saída do posto não era o seu desejo, Sena pontuou que sua vontade era continuar, já que não cometeu crime algum e está realizando um bom trabalho.
“O que existe é uma acusação leviana, absurda, um linchamento moral, mas a decisão do governador tem que ser acatada”, frisou.
Dirigentes do PRB, partido que detém a titularidade da indicação à pasta, não foram encontrados.
Entretanto, em declarações recentes, o líder do grupo, deputado federal Márcio Marinho (PRB), negou que o promotor faça parte da lista de filiados da legenda. Ele alegou que, por conta das funções que desempenha, Sena não pode ser filiado.
“Mas vários correligionários o tratam como membro da agremiação”, disse na ocasião.
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