segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

POLITICA

Segunda, 08 de Dezembro de 2014 - 09:20
Dilma quer nomes afinados com ela em bancos públicos
por Conteúdo Estadão // Murilo Rodrigues Alves



Abaixo da briga partidária pelo loteamento da Esplanada dos Ministérios, uma outra disputa, não menos intensa, é travada pelo comando dos bancos estatais. A indicação dos futuros ocupantes da presidência do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, o primeiro e o terceiro maiores bancos do País, respectivamente, dependerá, principalmente, da afinidade com a presidente Dilma Rousseff. 

O nome da atual ministra do Planejamento, Miriam Belchior, cotado para assumir o comando da Caixa, passou a ser visto no Palácio do Planalto e no próprio banco como a melhor saída justamente com base nesse critério. Ela teria a função de evitar que programas vitrines do governo Dilma tenham o orçamento cortado. Já se teme o enxugamento de verba determinado pela futura equipe econômica sob comando próximo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Com status de ex-ministra, Miriam teria "peito", na visão desse grupo, para impedir que a restrição fiscal atinja programas como o Minha Casa Minha Vida, que são coqueluches de Dilma. A presidente já avisou que não abre mão de ter à frente dos bancos públicos pessoas de sua extrema confiança para colocar em prática suas ideias, mesmo contrariando a área técnica. Um exemplo dessa prática é o programa Minha Casa Melhor, linha de crédito para a compra de móveis, computadores e eletrodomésticos. Por vontade da presidente, a Caixa foi obrigada a bancar o programa, apesar de análises feitas pela área técnica do banco terem alertado que, da forma como foi feito, o programa representa riscos para a saúde financeira do órgão. Miriam é tratada no PT como "coringa" e outra opção seria colocá-la à frente do Ministério das Cidades, uma das mais disputadas da Esplanada. Além dos petistas, o PSD, do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, o PMDB, com Moreira Franco, e o PP, com Aguinaldo Ribeiro ou o atual ministro Gilberto Occhi, travam nos bastidores uma corrida para ficar com a pasta que tem grande capilaridade política devido aos programas de infraestrutura, habitação e saneamento. Outra alternativa seria deixar a Caixa com o petista Jorge Hereda, que conta com o apoio do governador da Bahia e amigo da presidente, Jaques Wagner (PT). No entanto, dentro do próprio banco a avaliação é de que dificilmente ele permanecerá no cargo depois de episódios de muito desgaste, como a manobra contábil feita com recursos de cerca de 500 mil cadernetas de poupança para inflar os resultados da instituição. Outra turbulência enfrentada por Hereda foi a corrida às agências da Caixa, em maio de 2013, por causa de rumores sobre o fim do Bolsa Família. O atual presidente da Caixa teria um cargo garantido no ministério que o governador da Bahia for assumir. No caso do Banco do Brasil, a dúvida sobre quem comandará o maior banco brasileiro está entre o atual vice-presidente de Varejo do BB, Alexandre Abreu, e o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli.Ambos contam com prestígio com a presidente. Para o comando da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do BB, que tem participação acionária nas maiores empresas do País, o nome mais cotado é do atual vice-presidente de gestão de pessoas do banco, Robson Faria, filiado ao PT.

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